Gestão da Casa de Miguel Torga entregue ao Município

A Direção Regional de Cultura do Norte e a Câmara Municipal de Sabrosa assinaram, ontem, o protocolo de cedência de gestão da Casa de Miguel Torga que, futuramente, ficará entregue ao Município em articulação com o Espaço Miguel Torga.

Trata-se de mais um passo decisivo no processo de intervenção em curso na Casa de Miguel Torga, a qual deverá abrir ao público até ao final deste ano.

Doado à Direção Regional de Cultura do Norte por Clara Crabbé Rocha, professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa e filha de Miguel Torga, o edifício está a ser adaptado, visando a sua transformação numa Casa de escritor que preserve a memória das vivências quotidianas de Miguel Torga na sua terra natal, São Martinho de Anta.

Depois da adaptação da casa e terreno circundante a espaço museológico, bem como da intervenção de arranjos exteriores (jardim), está agora em fase de conclusão a implementação do projeto museológico e infraestruturação da casa.

A dinamização turístico-cultural do espaço, através da promoção dos roteiros torguianos, será feita em parceria com a Câmara Municipal de Sabrosa.

O projeto de recuperação, musealização e promoção da Casa de Miguel Torga, desenvolvido pela Direção Regional de Cultura do Norte, compreende um investimento total de 341 515, 54€, sendo objeto de financiamento em 90% pelo Turismo de Portugal, através da Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior do programa Valorizar – Programa de Apoio à Valorização e Qualificação de Destino.

Sobre Miguel Torga

Adolfo Correia da Rocha nasceu em 1907, em S. Martinho de Anta, Sabrosa, onde concluiu, com distinção, os estudos primários.

Oriundo de uma família humilde de camponeses e sem grandes recursos económicos, trabalhou no Porto, passou pelo Seminário de Lamego e, ainda adolescente, emigrou para o Brasil. De regresso a Portugal, cursou Medicina em Coimbra, onde viveu e faleceu em 1995.

De personalidade veemente e intransigente, foi poeta presencista, numa primeira fase associado ao grupo da Presença que cedo abandonou.

Adotou o pseudónimo Miguel Torga, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica, Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno, e ainda à torga, planta brava da montanha com fortes raízes.

A sua extensa obra aborda, entre outros temas, o drama da criação poética, o desespero humanista, o sentimento telúrico, a problemática religiosa, o iberismo e o universal.

Defensor da liberdade e da justiça, teve obras censuradas, foi vítima de perseguição política e esteve preso, apesar de nunca ter aderido a qualquer partido político.

Laureado com numerosos prémios literários nacionais e internacionais, foi candidato a Prémio Nobel da Literatura.

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