Evocação do 1º Centenário da morte de Aurélia de Souza

A Diretora Regional de Cultura do Norte, Laura Castro, participa hoje, pelas 17h00, na inauguração da exposição “Vida e Segredo”, de Aurélia de Souza (1866-1922), no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.

A exposição “Vida e Segredo”, uma evocação do 1.º centenário da morte da pintora portuguesa Aurélia de Souza (1866-1922), composta por 92 obras, vai ser inaugurada esta quinta-feira, pelas 17h00, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.

O cenário da exposição “Vida e Segredo” remete o visitante para o interior de uma casa senhorial do século XIX, com paredes pintadas ora de azul, ora de amarelo, ora de verde, ora de rosa, e onde se descobrem 92 quadros que abarcam parte significativa da obra de Aurélia de Souza, a “mulher pintora naturalista”, que nasce no Chile, mas que chega ao Porto em criança e acaba por viver e morrer quase sempre na sua casa da Quinta da China, na zona de Campanhã, com vista sobre o Rio Douro.

A exposição, que é inaugurada esta quinta-feira, dia 24, pelas 17h00, no Museu Nacional Soares dos Reis, reparte-se em quatro grandes áreas – Vidas, Espaços, Temas e Cores – mas todas essas áreas revelam pedaços da vida de Aurélia de Souza, uma “mulher feminista radical”, que teve cinco irmãs, que nunca se casou, nem teve filhos, e que morreu aos 57 anos, vítima, supõe-se, de “tuberculose”, avançou a comissária da exposição e mestre em História de Arte, com uma tese sobre o Pensamento Estético de Ramalho Ortigão.

O primeiro núcleo da exposição – Vidas – na parede azul, trata da importância do retrato na obra da pintora e que é “um fator fundamental” na produção da artista. Nessa parede azul, pode descobrir-se como Aurélia gostava de retratar crianças, quase sempre pintadas com expressão melancólica.

Os retratos de Aurélia “dão um salto qualitativo” na pintura realizada por mulheres na sua época, havendo expostos “retratos de encomenda”, “retratos como forma de pagamento de favores” e “retratos de afetos”, onde a artista dá asas à sua liberdade de expressão, explica Maria Ortigão de Oliveira (comissária da mostra), referindo que a pintora conseguia viver da sua arte, embora tivesse alguma herança familiar, designadamente a casa da Quinta da China, onde morava com a família e de onde nunca saiu.

Num segundo núcleo da exposição – Espaços – na parede amarela, estão reunidos alguns dos lugares de intimidade que refletem o cenário a partir do qual se desenrola grande parte da vida da pintora e dos seus talentos, como por exemplo ateliers, sala, quarto, jardins, vistas da Quinta da China, mas tudo espaços confinados “habitados de memórias felizes e ou dolorosas, mas sempre familiares”.

Nesta secção podemos ver mulheres e crianças a bordar, jogar, a construir uma boneca, a coser na máquina de costura ou a fazer malha.

O terceiro momento da exposição – Temas – na parede verde, podemos aceder a algumas das obras “que ilustram o apetite de Aurélia por tudo o que a rodeava”.

“Das paisagens estranhas que visitou ao género, dos símbolos às naturezas mortas, encontram-se aqui as singularidades de uma artista que a condição de mulher, burguesa e portuense, aconselhariam, porventura a evitar”.

O quarto e último núcleo da exposição – Cores –, na parede rosa, é dedicado à exploração que a pintora faz de si própria, através de vários autorretratos e da sua autorrepresentação.

“A pintora utiliza os artifícios com que joga esse jogo de ocultação/transparência em que domina claramente as regras: disfarces, máscaras, histórias de vida, passagem do tempo”, refere a comissária.

A exposição de evocação do 1.º centenário da morte de Aurélia de Souza fica patente no Museu Nacional Soares dos Reis até dia 21 de maio de 2023.

No âmbito do centenário da sua morte vai ser lançado, no dia 7 de junho de 2023, o Catálogo Raisonée – Aurélia nasceu a 13 de junho -, que inclui a obra e toda a informação a ela relativa, e estão programadas visitas guiadas à exposição para famílias e público em geral, bem como ateliês, ‘workshops’ e um ‘roteiro aureliano’ pelo Porto.

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