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13 Set. 2017 Seminário sobre Mosteiro de Rendufe Conferência «Arte e Devoção no Mosteiro de Rendufe: o canto litúrgico dos monges beneditinos» decorre no próximo dia 23, pelas 16h00. Evento
Dando continuidade ao Seminário dedicado ao Mosteiro de Rendufe, em Amares, a Direção Regional de Cultura do Norte promove, no próximo dia 23 de setembro, pelas 16 horas, a Conferência "Arte e Devoção no Mosteiro de Rendufe: o canto litúrgico dos monges beneditinos”, proferida pela Doutora Elisa Lessa, professora no Departamento de Música do ILCH da Universidade do Minho.

A iniciativa, integrada no programa de comemoração das Jornadas Europeias do Património, decorre no Mosteiro de Rendufe, com entrada livre.

O referido Seminário consiste num conjunto de Conferências intituladas «Conhecer e divulgar o Mosteiro de Rendufe» que contam com a participação de alguns especialistas, com o objetivo de impulsionar o conhecimento e a divulgação do Mosteiro Beneditino de S.º André de Rendufe.

Com origem anterior a 1090, o Mosteiro de Rendufe foi uma das principais casas beneditinas entre os séculos XII-XIV. 

"O papel e ação dos centros beneditinos do ponto de vista cultural, social e económico foram de primordial importância para o desenvolvimento das populações. O seu princípio era o da ocupação constante. As suas obrigações consistiam na celebração do Ofício Divino e na sua preparação para que fosse celebrado com dignidade e esplendor. A liturgia e consequentemente o seu suporte musical foi sempre o principal fundamento da vida monástica, sendo a ocupação principal dos monges, como modo de expressão espiritual e meio de identificação da sua existência. A importância que os beneditinos atribuíam à música, e o desenvolvimento que alcançaram neste domínio, permite afirmar que a congregação teve um papel de relevo na história da música sacra em Portugal. 

Os monges músicos tinham privilégios próprios que se traduziam na criação de condições e incentivos ao seu trabalho, fruto do reconhecimento dos seus conhecimentos e dons e da importância do serviço prestado à comunidade. O sinal de agradecimento pela música então ouvida manifestava-se no tempo maior de lazer, na dispensa de algumas Horas Litúrgicas, na alimentação especial e nos doces em ocasiões especiais como o Natal, a Páscoa e as festas dos Santos Padroeiros, momento altos de música polifónica, utilizando-se vários instrumentos, destacando-se o órgão com um papel preponderante na liturgia, com seus Versos, Fantasias, Glosas. O costume de mandar vir músicos de fora em dias de festa era frequente nos mosteiros. Das redondezas vinham até ao mosteiro tocadores de charamelas, que em sintonia com a população celebravam a Festa de S. Bento, de Nossa Senhora do Rosário, dia de Reis, entre outras festividades”. (Elisa Lessa, in «O património artístico musical do Mosteiro de Santo André de Rendufe: conhecer o passado para intervir no presente»)