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09 Abr. 2019 Mosteiro de Tibães recebe nova obra de arte Direção Regional de Cultura do Norte e Grupo de Amigos de Tibães assinam protocolos de cooperação, no próximo dia 13 abril, pelas 14h30.


O Mosteiro de São Martinho de Tibães, em Braga, vai receber uma nova obra de arte, cedida em depósito pela Associação do Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães, conforme Protocolo de Comodato para Depósito de Obra de Arte que será assinado no próximo dia 13, pelas 14h30, no Mosteiro de Tibães.

Trata-se do retrato de Frei Bento Santo António Vieira, óleo sobre tela, uma pintura da escola portuguesa do século XIX, assinado por "Barelli”. Esta obra foi adquirida em leilão pelo Grupo de Amigos do Mosteiro de São Martinho de Tibães, para ser exposto numa das salas do Mosteiro, mais concretamente na Galeria dos Abades.

Na mesma cerimónia será, igualmente, assinado entre a Direção Regional de Cultura do Norte e a Associação Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães um Protocolo de Colaboração que traduz o empenho das duas entidades em prol da salvaguarda do património.  

O objetivo primordial deste Protocolo é regular e articular as ações a desenvolver, firmando a cooperação institucional entre as partes através da materialização de iniciativas diversas que contribuam para a implementação e desenvolvimento de ações, projetos e atividades que promovam a valorização, dinamização e divulgação do Mosteiro de São Martinho de Tibães.

Sobre o Mosteiro de São Martinho de Tibães

O Mosteiro de São Martinho de Tibães situa-se na freguesia de Mire de Tibães, no concelho e distrito de Braga. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1944, estando afeto à Direção Regional de Cultura do Norte. 

Em finais do século XI, foi fundado o Mosteiro de São Martinho de Tibães, de observância beneditina, no qual os monges seguiam as regras – silêncio, obediência, pobreza, oração e trabalho – prescritas por São Bento de Núrsia. 

Em 1110, os condes D. Henrique e D. Teresa, pais de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, doaram a Tibães as terras adjacentes ao Mosteiro e outorgam-lhe a Carta de Couto.

O Mosteiro cresceu em privilégios e poder até ao século XIV sendo, após o Concílio de Trento, em 1567, escolhido para Casa-mãe da Congregação de São Bento dos Reinos de Portugal, com 22 mosteiros em Portugal e 13 no Brasil. Atingiu o seu máximo esplendor nos séculos XVII e XVIII, após ter sido transformado num dos maiores conjuntos monásticos do Portugal barroco e num importante centro produtor e difusor de culturas e estéticas, lugar de exceção do pensamento e arte portuguesas.

O Mosteiro é constituído pela igreja, alas conventuais e espaço exterior - a cerca. O edifício que hoje existe foi construído ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Com uma arquitetura funcional, apresentava nesse tempo uma clara separação entre as áreas de oração, trabalho, lazer, comunicação com o exterior, zonas ocupadas pela comunidade residente e outras, reservadas para o uso como Casa-mãe da Congregação.
Em 1833/ 34, com a extinção das Ordens Religiosas, o Mosteiro foi encerrado, os seus bens inventariados e postos à venda, exceto a igreja, o passal e uma zona conventual que, continuando propriedade do Estado Português, ficaram em uso paroquial.

Em 1986, o Estado Português, perante a degradação e delapidação deste património nas décadas anteriores, adquire-o, iniciando a sua recuperação com estudos, registos e limpezas que viabilizaram os projetos de restauro que se seguiram. 

Mantendo os usos associados à Paróquia de Mire de Tibães, duas novas valências foram implementadas: a cultural, associada ao conceito internacional de Museu Monumento e Jardim Histórico, que permite percorrer, ver e sentir os espaços e os seus tempos; e a de acolhimento, onde a intervenção de recuperação do séc. XXI, adaptou a parte do edifício mais arruinada às necessidades duma comunidade religiosa da Família Missionária Donum Dei, com as valências de hospedaria e do restaurante L’Eau Vive.